quarta-feira, 27 de junho de 2018

AUTOR DE CHACINA NAS PALMEIRAS EM SÃO MIGUEL DO TAPUIU CONDENADO A 112 ANOS DE CADEIA

Após cerca de 12 horas de julgamento o acusado de cometer a chacina que vitimou cinco pessoas na localidade Palmeira de Cima, zona rural de São Miguel do Tapuio no Piauí, Clewilson Vieira Matias, conhecido como Chiê, foi condenado a 112 anos de reclusão.

O julgamento de Chiê teve início às 09h da manhã de hoje, 26, no Fórum Milton Evaristo de Paiva, situado no Bairro Matadouro, e foi presidido pelo Juiz de Direito da Comarca de Castelo do Piauí, Dr. Leonardo Brasileiro, que em carácter excepcional assume pela Vara Única da Comarca de São Miguel do Tapuio.

De acordo com a sentença, que foi lida às 20h30min, a personalidade do réu é voltada para a criminalidade, considerando que o mesmo agiu com uma insensibilidade acentuada e maldade, desferindo vários disparos de arma de fogo contra uma vítima indefesa, não demonstrando sentimento algum de afetividade pelo próximo.

Pelo crime cometido contra Juvêncio dos Reis da Silva (líder comunitário) o réu foi condenado a 24 anos, contra Sidney Tavares Silva (estudante/neto de Juvêncio) 22 anos, Maria Moreira do Nascimento (esposa do acusado) 22 anos, Roberto Brito Bastos Crisóstomo (professor de informática da rede municipal) 22 anos e Cláudio Barros de Oliveira (comerciante / compadre do acusado) 22 anos.

Durante o interrogatório, que durou cerca de 45 minutos e teve início às 12h20min, o acusado chegou a fazer várias citações bíblicas e pediu desculpas aos familiares das vítimas. “Sinto muito pelas famílias das vítimas, peço desculpas, peço perdão, eu sei que é difícil eles me perdoar, sei que é difícil para eles suportar, eu também fui vítima, eu perdi minha esposa, meus filhos, minha casa minha liberdade” disse Chiê.

A acusação, representada pelo Ministério Público e defendida pelo Dr. Ricardo Trigueiro, deixou claro que quem comete crime sabe que vai para a cadeia, “quem opta por cometer um crime, sabe que vai para a cadeia” disse. A acusação ainda destacou que Chiê foi covarde “Ele foi um covarde, as pessoas que ele matou não souberam nem o motivo porque estavam morrendo, ele não teve nem a dignidade de dizer o porquê que estava matando” pontuou.

A defesa do acusado, representada pelo defensor público Dr. Afonso Lima da Cruz Júnior, tentou desqualificar o laudo que atesta a sanidade mental do acusado, destacando que o mesmo sofreu de um surto psicótico originalizado pela pressão que ele estava sofrendo, pela medicação que usava, além de bebidas alcoólicas e drogas. A defesa solicitou ao corpo de jurados a absolvição impropria (aplicação de medida de segurança de internamento) do réu.

Por outro lado, a acusação fez menção ao trajeto que o acusado fez ao cometer os crimes e, após matar cinco pessoas, fugiu e se escondeu e apresentou questionamentos ao júri “Então a dinâmica como aconteceu, a sequência das vítimas, a sequência dos fatos, até o momento em que ele fugiu e se escondeu, eu peço a vocês que respondam a seguinte indagação: Quanto vale a vida de uma pessoa? Qual o valor da vida da pessoa? Façam essa avaliação e apliquem no caso Chiê. Será se o que ele fez é correto? Vocês no lugar dele fariam a mesma coisa? O que ele fez em São Miguel é aceitável? Ele pode transitar normalmente pelas ruas da cidade? Será se ele precisa de ajuda? O médico disse que ele era bom da cabeça” disse em pronunciamento Dr. Ricardo.

Após ser lida a sentença, que é desfavorável ao réu e o condena em 112 anos, Chiê foi recambiado para a penitenciária por volta das 21h, sob um forte esquema de segurança.

FONTE: SÃO MIGUEL AGORA

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